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Por que construí um sistema para ateliês de costura

O AteliePro nasceu de uma pergunta simples — como um ateliê pequeno sabe o que está pronto, o que falta e quanto entrou? — e de perceber que nenhum sistema respondia a ela na linguagem de quem costura.

Todo software de gestão que eu conhecia falava de estoque, nota fiscal e pedido de venda. Um ateliê de costura sob medida não fala disso. Fala de prova, de ajuste, de bainha, de "a cliente vem buscar sexta". A informação existe — está no caderno, na cabeça da dona, numa conversa de WhatsApp que ninguém acha mais.

Funciona. Até o dia em que não funciona.

O que quebra

Um ateliê pequeno quebra em lugares previsíveis. Uma peça atrasa porque o prazo estava só na memória. Uma comissão vira discussão porque ninguém anotou quem fez qual peça. Uma cliente liga três vezes para saber se ficou pronto, e cada ligação interrompe alguém que está costurando. Nada disso é falta de capricho — é falta de um lugar onde as coisas fiquem.

Eu queria construir esse lugar. Não um ERP encolhido: um sistema que partisse do dia da costureira e só tivesse o que ela precisa.

O que o AteliePro faz

Cada pedido ganha um QR code. A cliente escaneia e vê o status sem ligar; a costureira escaneia e abre a ficha técnica, com medidas e fotos, na hora. Clientes têm histórico: medidas, pedidos anteriores, o que foi conversado. A equipe tem comissão calculada quando o pedido é pago, sem planilha no fim do mês. O financeiro mostra entradas, despesas e lucro sem exportar nada. Os avisos de "ficou pronto" e "pode retirar" saem por WhatsApp com um toque. E existe um app Android, porque o ateliê raramente está sentado na frente de um computador.

Como é feito, para quem gosta de saber

O AteliePro é feito em Laravel — a primeira linguagem que aprendi de verdade e, até hoje, a que me deixa mais rápido. PostgreSQL, atualizações em tempo real, uma API que o painel e o app Android consomem igual. Pagamento por Pix ou cartão. Os dados de cada ateliê são isolados dos outros por construção, não por convenção. E há testes automatizados cobrindo cada fluxo que mexe com dinheiro ou com o pedido de alguém.

Decidi também hospedar o mínimo possível em terceiros: o servidor é meu, o monitoramento é meu, a estatística de uso é minha e não usa cookie. Não por ideologia — porque é o negócio de alguém que confiou em mim, e eu quero saber exatamente onde ele está.

Por que agora

Porque já está funcionando. Este texto é o primeiro anúncio público do AteliePro como uma solução minha. Se você tem um ateliê, ou conhece quem tenha, a porta está aberta.

Se você é desenvolvedor e quer conversar sobre como foi construir isso — o multi-tenant, o app, a decisão de trocar um gateway internacional por um brasileiro no meio do caminho — os próximos textos vão ser sobre isso.

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